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Agronomia

Meliponário da UFFS – Campus Chapecó une ensino, pesquisa e conservação de abelhas sem ferrão

São 18 colônias de espécies nativas, com o desenvolvimento de ações voltadas à biodiversidade, sustentabilidade e educação ambiental

Lilian Simioni - Assessoria de Comunicação do Campus Chapecó — 28 de Maio de 2026 — Atualizado em 28/05/2026

Meliponário da UFFS – Campus Chapecó une ensino, pesquisa e conservação de abelhas sem ferrão

Proposta do Meliponário nasceu da relação entre a produção animal, a agronomia e a importância ecológica das abelhas sem ferrão

Um espaço dedicado à criação e conservação de abelhas sem ferrão vem ganhando forma na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Chapecó. Implantado em 2025, o meliponário da universidade surgiu a partir de iniciativas desenvolvidas pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Produção Animal Sustentável (GEPAS), coordenado pela professora Taida Juliana Adorian, do curso de Agronomia.

Segundo a professora, a proposta nasceu da relação entre a produção animal, a agronomia e a importância ecológica das abelhas sem ferrão. “A importância das abelhas sem ferrão para a polinização e manutenção da biodiversidade foi o principal motivador para essa iniciativa”, afirma.

De acordo com Taida, as colônias mantidas no espaço tiveram origem em doações feitas por produtores rurais e meliponicultores da região, além de capturas autorizadas de enxames da natureza, registradas junto à Cidasc. Conforme a docente, o principal objetivo do meliponário é funcionar como espaço de ensino, pesquisa, extensão e educação ambiental.

Atualmente, o meliponário conta com 18 colônias distribuídas entre espécies como jataí, iraí, mandaçaia, manduri, guaraipo, canudo, mirim-guaçu e negrícipes, entre outras abelhas sem ferrão nativas do Brasil.

Segundo Taida, esses insetos possuem papel estratégico para a biodiversidade e também para a produção de alimentos. “As abelhas sem ferrão são estratégicas para a biodiversidade e para a produção de alimentos porque atuam na polinização de inúmeras espécies vegetais nativas e cultivadas”, explica. Conforme a professora, a atuação desses polinizadores contribui para a reprodução das plantas, manutenção dos ecossistemas, aumento da produtividade agrícola e conservação da flora nativa.

Além das atividades de manejo, o espaço também vem sendo utilizado para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas. Entre os projetos em andamento está o estudo “Potencial da própolis de abelhas sem ferrão como bioaditivo tecnológico para a aquicultura”, financiado pela FAPESC. A pesquisa busca avaliar o uso da própolis produzida por essas abelhas como aditivo natural em rações para organismos aquáticos.

De acordo com a professora, o meliponário também possui potencial para pesquisas futuras relacionadas à conservação de polinizadores, manejo de abelhas sem ferrão, sustentabilidade e educação ambiental.

A participação dos estudantes ocorre principalmente por meio do GEPAS. Conforme Taida, os integrantes do grupo atuam em atividades de manejo e alimentação das colônias, monitoramento do desenvolvimento das abelhas, multiplicação de colônias, organização do espaço, implantação de recursos apícolas e produção de materiais educativos.

Para a docente, a presença do meliponário dentro da universidade contribui diretamente para a formação prática dos estudantes de Agronomia. “Ter um meliponário dentro do campus permite que os alunos conheçam na prática a diversidade de abelhas sem ferrão nativas do Brasil, sua relação com os ecossistemas e sua importância para a agricultura sustentável”, destaca.

Segundo a professora, muitas pessoas ainda associam as abelhas apenas à espécie Apis mellifera, conhecida pelo ferrão, embora o Brasil possua ampla diversidade de espécies nativas sem ferrão. Em Santa Catarina, conforme Taida, existem cerca de 24 espécies registradas.

O espaço também já começou a receber visitantes da comunidade acadêmica e externa, mesmo ainda estando em fase inicial de estruturação. Conforme a docente, as atividades envolvem ações educativas e de divulgação científica relacionadas à meliponicultura, conservação ambiental e sustentabilidade.

Entre os desafios enfrentados pelas abelhas sem ferrão, Taida cita o uso inadequado de agrotóxicos, a perda de habitat, a fragmentação ambiental e a redução da diversidade floral. “Muitas colônias acabam sendo perdidas durante supressões vegetais, obras e alterações ambientais”, relata.

Segundo a professora, a recente Lei Estadual nº 19.732/2026, de Santa Catarina, reconhece oficialmente a importância do resgate de colônias em situação de risco decorrente da perda de habitat e de empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental.

De acordo com Taida, a universidade também pretende ampliar a estrutura do meliponário nos próximos anos, aumentando o número de espécies e colônias mantidas. Entre as ações previstas estão a implantação de flora voltada à oferta de recursos para as abelhas e a construção de uma mandala de plantas medicinais.

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