A Olimpíada de Matemática do Oeste Catarinense (OMOC) tem se consolidado como uma das principais iniciativas de aproximação entre a Universidade Federal da Fronteira Sul e a educação básica na região. Criada em 2017 como programa de extensão da UFFS – Campus Chapecó, a competição nasceu com um objetivo principal: estimular o estudo da matemática e oferecer novas possibilidades de aprendizagem para estudantes e professores.
Mais do que uma prova, a OMOC, um projeto de extensão, se transformou em uma experiência formativa que envolve escolas, famílias, professores e universitários. Ao longo dos anos, o crescimento é evidente: de pouco mais de 300 estudantes na primeira edição para mais de 10 mil participantes nas últimas edições, envolvendo cerca de cem escolas de diferentes municípios do Oeste catarinense. Esse alcance, segundo o coordenador do projeto, professor Milton Kist, revela o papel da universidade pública no território.
O projeto, conforme Kist, ocorre ao longo do ano todo. Inicia em março, na UFFS, com a preparação do material para ministrar treinamentos preparatórios para os alunos que participarão da olimpíada. Esse processo envolve os próprios licenciandos em Matemática, com a criação dos materiais didáticos (listas de exercícios, abordagens metodológicas e roteiros de aula), sempre sob a orientação e supervisão da equipe de gestão do programa.
Em abril acontecem as inscrições das escolas. Na sequência as escolas já podem fazer agendamentos de treinamentos. São oferecidos treinamentos presenciais na Universidade, ministrados por estudantes do curso de Matemática, além de serem disponibilizadas as listas de treinamento na página da OMOC e videoaulas de resolução de problemas no canal do YouTube. Os agendamentos para treinamentos presenciais podem ser feitos pelo e-mail omoc@uffs.edu.br ou pelo WhatsApp (49) 991094147.
Os treinamentos, como explica Kist, não se limitam à resolução mecânica de exercícios. “As competições incentivam o pensamento crítico, a resolução de problemas e a criatividade, além de proporcionar um ambiente de aprendizado colaborativo, onde os estudantes podem interagir com colegas que compartilham o mesmo interesse pela Matemática. A metodologia privilegia a abordagem por problemas, estimulando os estudantes a construírem o raciocínio, e não apenas a memorizarem fórmulas”.
Impacto que começa na escola
A OMOC, na prática, ganha vida dentro das salas de aula, nas escolas da região. É ali que professores assumem o papel de incentivadores e organizadores, com a articulação da participação dos estudantes e a criação de uma cultura de envolvimento com a matemática.
Na Escola Sereno Soprana, em Chapecó, o professor Joel Alves dos Santos começou esse trabalho recentemente, mas já percebe resultados claros. Com cerca de 140 estudantes participando, principalmente do 7º e 8º anos, a olimpíada se tornou parte da rotina escolar.
Segundo ele, o interesse dos alunos vai além da competição. Eles enxergam na OMOC um desafio diferente do que encontram no currículo tradicional. A motivação, de acordo com o professor, passa pela curiosidade, pelo desejo de superação e também pelo reconhecimento que vem com a participação.
Os resultados reforçam esse movimento. Desde 2022, a escola acumula medalhas de prata, bronze e menções honrosas. Mais do que premiações, o professor revela que essas conquistas têm impacto direto na autoestima dos estudantes e no ambiente escolar. “É um divisor de águas que eleva muito a autoestima e o currículo acadêmico”.
O professor descreve o efeito da OMOC de maneira bem interessante: “o que motiva é ver o brilho nos olhos dos alunos quando conseguem resolver um problema difícil e o orgulho das famílias ao verem seus filhos sendo reconhecidos”.
A OMOC não se limita à realização das provas. Ao longo do ano, os estudantes têm acesso a treinamentos presenciais na universidade, materiais didáticos, listas de exercícios e videoaulas.
Esses encontros são conduzidos por acadêmicos do curso de Matemática da UFFS, sob supervisão de professores da Instituição. Para os alunos da educação básica, é uma oportunidade de conhecer a universidade de perto. Para os licenciandos, é uma experiência prática de docência.
O contato também é relevante para os estudantes das escolas. De acordo com o professor Joel, os alunos que participam dos treinamentos ampliam sua forma de pensar e passam a enxergar diferentes estratégias de resolução. Isso se reflete diretamente no desenvolvimento do raciocínio lógico, na autonomia e na capacidade de enfrentar desafios.
Além disso, o professor ressalta que a participação em olimpíadas como a OMOC contribui para o desenvolvimento de competências que vão além do conteúdo: resiliência, disciplina e pensamento crítico. Ele aponta que estas são habilidades que acompanham os estudantes em toda a trajetória acadêmica e profissional.
Segundo o professor Kist, a olimpíada também atua como um mecanismo de identificação de talentos. Ele aponta que há casos de estudantes que, a partir da OMOC, avançaram para competições nacionais e até oportunidades acadêmicas mais amplas, incluindo bolsas de estudo.
“A OMOC atua num recorte territorial específico – o Oeste Catarinense – com provas calibradas à realidade local, maior proximidade entre organizadores e participantes, e uma cerimônia de premiação realizada na própria universidade da região. A realização desta olimpíada é o resultado de um esforço conjunto das escolas (diretores, coordenadores, professores de Matemática e alunos) e da Comissão Regional da UFFS. Esse caráter colaborativo e regional é o que diferencia a OMOC das competições nacionais: ela pertence à comunidade que a realiza”, explica Kist.
Inscrições para a OMOC
A edição de 2026 já está em andamento, com inscrições abertas para as escolas até o dia 8 de maio. O cadastro deve ser feito por formulário eletrônico, disponível no site oficial da olimpíada.
Após a inscrição das escolas, os estudantes participam de uma primeira fase objetiva. Os classificados avançam para a segunda fase, realizada na universidade, com questões discursivas que exigem desenvolvimento completo do raciocínio. Os estudantes que obtiverem as melhores pontuações finais em cada nível recebem medalhas e certificados, entregues durante a cerimônia de premiação, prevista para o dia 5 de dezembro, na UFFS. “A cerimônia pública de premiação cria um ritual de reconhecimento coletivo que motiva não apenas quem recebe a premiação, mas toda a comunidade escolar – diretores, professores e familiares”, ressalta o professor da UFFS.
De acordo com o professor Kist, a expectativa da coordenação é manter ou superar os números das últimas edições, consolidando ainda mais a OMOC como um projeto coletivo da região.