Vivemos um tempo em que as tecnologias digitais, em especial a inteligência artificial, está transformando profundamente a forma como nos comunicamos, aprendemos e convivemos. Essas mudanças ocorrem também no âmbito da Educação — não apenas como recursos técnicos, mas como convite a repensar nossas práticas, nossos papéis e os sentidos do aprender e do ensinar.
A proposta de Especialização em Inteligência Artificial na Educação nasce da necessidade de olhar para essas transformações de maneira crítica, criativa e sensível. Mais do que formar profissionais que "dominem" as tecnologias digitais, queremos formar pessoas que saibam dialogar com elas, compreendendo os seus potenciais e os seus riscos e implicações éticas. Que entendam que a IA não é neutra, e que seus usos carregam visões de mundo, interesses e efeitos concretos sobre a vida das pessoas e da própria sociedade pós-moderna.
As teorias pós-estruturalistas nos ajudam justamente a olhar para a educação como um campo em constante construção, no qual não existem verdades únicas ou caminhos fixos. Cada sujeito que aprende traz sua história, sua linguagem, sua forma de ser e estar neste mundo que é construído de forma conjunta com o próprio sujeito. Ao incorporar essas perspectivas, queremos formar educadores que saibam escutar, interpretar, dialogar e atuar com sensibilidade diante das múltiplas vozes que habitam a escola e os espaços de aprendizagem — inclusive as vozes que emergem da tecnologia digital.
Ao mesmo tempo, o curso foi pensado de forma a incluir teorias disruptivas. Elas nos inspiram a romper com “os velhos padrões” que limitam nossa criação, o nosso pensamento crítico e a nossa autonomia. Em vez de reproduzir modelos prontos, é hora de imaginar novos caminhos: metodologias mais abertas, currículos mais flexíveis, ambientes de aprendizagem mais colaborativos, nos quais a IA seja uma “aliada” na personalização e no acolhimento das trajetórias de cada educador, e não um mero instrumento de padronização ou de controle. Essa proposta dialoga com o desenvolvimento regional, especialmente com a região de Erechim e do Alto Uruguai Gaúcho. Trata-se de um território marcado por uma forte tradição educacional e por iniciativas inovadoras nas áreas das tecnologias, do agronegócio e dos serviços.
No entanto, também é uma região que enfrenta desafios: desigualdades sociais, mudanças nas dinâmicas do trabalho, e a necessidade urgente de formar lideranças preparadas para atuar com ética, sensibilidade e inovação frente às transformações digitais. Oferecer uma formação de Especialização em Inteligência Artificial na Educação, na região de Erechim e do Alto Uruguai Gaúcho, é reconhecer o potencial humano e institucional da região. É investir na qualificação de profissionais que atuarão em escolas, universidades, centros de inovação e comunidades, promovendo uma educação comprometida com a equidade, a inclusão e o desenvolvimento sustentável.
Por isso, a pós- graduação se justifica como um espaço vivo de formação: um espaço no qual teoria e prática se encontram, onde se constrói um pensamento ético sobre o futuro da educação, e no qual a tecnologia digital é colocada a serviço da dignidade humana, da diversidade e do bem comum. Afinal, antes de falarmos em algoritmos, falamos de pessoas. E é nelas — e com elas, especialmente com as pessoas e instituições de Erechim e região — que esta proposta quer começar.