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Laboratórios são inaugurados após investimentos que impulsionam pesquisas

Programa estadual destina R$ 5 milhões para equipamentos e fortalece a pesquisa avançada na UFFS – Campus Chapecó

Lilian Simioni - Assessoria de Comunicação do Campus Chapecó — 10 de Março de 2026 — Atualizado em 17/03/2026

Laboratórios são inaugurados após investimentos que impulsionam pesquisas

Cerca de R$ 5 milhões foram destinados à aquisição de equipamentos de alta tecnologia

Investir em ciência significa, muitas vezes, apostar em histórias que começam muito antes da entrada em um laboratório. Na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Chapecó, a inauguração de novos laboratórios, viabilizada por recursos do Governo do Estado de Santa Catarina por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), conecta investimento público, infraestrutura científica e trajetórias individuais dedicadas à produção de conhecimento.

Com cerca de R$ 5 milhões destinados à aquisição de equipamentos de alta tecnologia, o campus passa a contar com duas estruturas estratégicas para o desenvolvimento de pesquisas avançadas: a Central de Análises – Laboratório Multiusuário de Pesquisas em Saúde Única e Sustentabilidade, e o Biotério e Laboratório de Fisiologia, Farmacologia e Psicopatologia. Os espaços serão inaugurados na quarta-feira (11), às 10h, com a presença de representantes da Fapesc, gestores, pesquisadores e estudantes da universidade. Os recursos foram destinados por meio do Programa de Estruturação Acadêmica para Laboratórios Multiusuários Dedicados à Pesquisa Avançada no Estado de Santa Catarina.

É dentro desse contexto de fortalecimento da infraestrutura científica que se insere a trajetória da professora e pesquisadora Margarete Dulce Bagatini, coordenadora da Central de Análises. A história da pesquisadora ajuda a compreender como o investimento público em ciência se transforma, na prática, em produção de conhecimento e formação de novos pesquisadores.

O tempo da ciência e a trajetória de uma pesquisadora

Professora Margarete coordena o grupo de pesquisa Estudos Biológicos e Clínicos em Patologias Humanas

A vida de um cientista raramente segue uma linha reta. Entre experimentos e descobertas que surgem após anos de investigação, a ciência se constrói no tempo longo da persistência. Para Margarete, esse percurso começou ainda na graduação, quando o contato com projetos de pesquisa e extensão despertou uma curiosidade que acabaria definindo sua trajetória profissional.

A experiência em atividades acadêmicas, estágios em laboratório e a publicação do primeiro artigo científico marcaram o início de uma carreira dedicada à investigação científica. Ao longo dos anos, a pesquisadora aprofundou seus estudos em bioquímica e fisiopatologia, investigando processos biológicos associados a doenças humanas.

Durante o mestrado, dedicou-se a estudar a atividade de enzimas relacionadas ao estresse oxidativo em pacientes com infarto agudo do miocárdio, ampliando o entendimento sobre mecanismos bioquímicos envolvidos em doenças cardiovasculares. No doutorado, aprofundou a investigação sobre enzimas responsáveis pela degradação de nucleotídeos em pacientes com cardiopatia isquêmica, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre processos metabólicos relacionados a essas patologias.

Depois do doutorado e de um estágio pós-doutoral, ingressou como docente na UFFS – Campus Chapecó em 2011. Na universidade, passou a atuar na formação de novos pesquisadores e na consolidação de linhas de investigação científica. Foi nesse período que criou o grupo de pesquisa Estudos Biológicos e Clínicos em Patologias Humanas e passou a desenvolver pesquisas relacionadas ao sistema purinérgico, área que investiga mecanismos celulares envolvidos em processos inflamatórios, metabólicos e neurológicos.

Ao longo dessa trajetória, acumulou produção científica, orientou estudantes e estabeleceu redes de colaboração com pesquisadores de outras instituições. O reconhecimento veio também em forma de uma distinção da ciência brasileira: a bolsa de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para a pesquisadora, porém, a ciência não se resume a indicadores acadêmicos. Ela lembra que cada etapa do trabalho científico envolve persistência, curiosidade intelectual e colaboração. Cada experimento realizado, cada estudante orientado e cada nova pergunta formulada fazem parte de um processo contínuo de construção do conhecimento.

A chegada dos novos equipamentos à universidade representa justamente a ampliação das possibilidades desse processo. A Central de Análises coordenada por Margarete reúne tecnologias capazes de realizar análises complexas em diferentes áreas do conhecimento. Entre os equipamentos estão sistemas voltados à identificação de compostos bioativos ou contaminantes em matrizes biológicas e ambientais, além de microscopia confocal, tecnologia que permite observar estruturas celulares com grande nível de detalhamento.

“A principal mudança é o acesso direto a tecnologias avançadas dentro da própria universidade. Isso permite que estudantes desenvolvam etapas importantes de seus projetos sem depender de serviços externos, ganhando autonomia e rapidez na obtenção de resultados”, explica Margarete. O caráter multiusuário do laboratório também amplia o impacto do investimento público: diferentes grupos de pesquisa poderão utilizar a mesma infraestrutura, estimulando a colaboração entre áreas distintas do conhecimento.

Essa lógica, segundo Margarete, favorece o surgimento de parcerias científicas que muitas vezes não ocorreriam de outra forma, ampliando o alcance das investigações realizadas na universidade. A proposta da Central de Análises também dialoga com o conceito de Saúde Única, abordagem científica que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, pesquisas podem investigar desde contaminantes ambientais e qualidade de alimentos até biomarcadores associados a doenças e respostas celulares.

Pesquisa em neurociência e saúde mental

Professora Zuleide investiga mecanismos envolvidos em transtornos psiquiátricos, doenças neurodegenerativas e outras patologias

O fortalecimento da infraestrutura científica no campus também inclui o Biotério e Laboratório de Fisiologia, Farmacologia e Psicopatologia, coordenado pela professora Zuleide Ignácio.

O espaço reúne duas estruturas complementares. O biotério é responsável pela criação e manutenção de modelos animais utilizados em pesquisas científicas. Já o laboratório de análises biológicas permite realizar investigações moleculares e bioquímicas em tecidos, células e amostras biológicas.

Essas estruturas possibilitam investigar mecanismos envolvidos em transtornos psiquiátricos, doenças neurodegenerativas e outras patologias. A partir delas, pesquisadores podem combinar experimentação em modelos animais, estudos celulares e pesquisas com participantes humanos.

Para Zuleide Ignácio, a nova infraestrutura amplia significativamente as possibilidades de investigação científica. Os equipamentos permitem investigar marcadores biológicos relacionados a diferentes doenças e compreender melhor os mecanismos envolvidos em seu desenvolvimento.

Entre as linhas de pesquisa em andamento estão estudos com compostos derivados de plantas medicinais, incluindo substâncias presentes na Cannabis sativa. “Já temos resultados relevantes mostrando efeitos do canabidiol e de outros compostos da planta em modelos experimentais, com potencial antidepressivo e ansiolítico. Esses resultados ajudam a abrir novos caminhos para pesquisas terapêuticas”, afirma a pesquisadora. Atualmente, cerca de 30 pesquisadores participam de projetos vinculados ao biotério, entre estudantes de graduação, pós-graduação e colaboradores externos.

Ciência como investimento no futuro

Equipamentos serão utilizados em pesquisas de várias áreas

Mais do que a chegada de equipamentos, as pesquisadoras concordam que a criação dos novos laboratórios representa um passo importante para fortalecer a produção científica e ampliar a capacidade de inovação da universidade.

Para Margarete, iniciativas como essa demonstram que investir em ciência significa criar condições para que novas gerações de pesquisadores possam surgir. Ao olhar para sua própria trajetória, ela reconhece que a produção científica se constrói no tempo longo da dedicação e da colaboração.

“Investir em ciência é investir no futuro. Quando uma universidade pública fortalece sua infraestrutura de pesquisa, ela cria condições para formar novos cientistas e produzir conhecimento que pode transformar a sociedade”, conclui.

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