No dia 9 de janeiro de 2026, Heloísa Marcelle da Silva Brito concluiu a graduação em Medicina pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Passo Fundo. A cerimônia de formatura da turma 2025.2 (Turma 12) foi realizada no Gran Palazzo, reunindo formandos, familiares, docentes e convidados.
Natural de Paramirim (BA), município do interior da Bahia, Heloísa construiu sua trajetória integralmente vinculada à educação pública, desde a educação básica até a universidade. Filha de professora, sempre teve o estudo como referência de transformação social.
“Desde muito cedo eu sabia que queria cursar Medicina. Cresci em uma família que sempre valorizou a educação e a universidade pública, e isso foi determinante para eu não desistir, mesmo quando a aprovação não veio de imediato”, relata.
Após anos de preparação e persistência, foi convocada para o curso de Medicina da UFFS, iniciando a graduação em meio à pandemia. “Começar a universidade de forma remota, longe da família, foi desafiador. Mas também foi um período de muito aprendizado, disciplina e amadurecimento”, destaca.
Durante o curso, integrou ligas acadêmicas nas áreas de Pediatria, Psiquiatria e Saúde da Família, participou de projetos de pesquisa e de espaços de organização acadêmica. No ciclo clínico, foi selecionada para uma vivência acadêmica no Hospital da Universidade Federal de Uberlândia, ampliando sua formação prática e o intercâmbio com estudantes de diferentes regiões do país.
Ao longo da graduação, Heloísa construiu uma trajetória acadêmica marcada pelo compromisso com a equidade racial e a justiça social, dimensões presentes em sua produção científica e em sua atuação em projetos de pesquisa e extensão.
Seu Trabalho de Conclusão de Curso teve como foco os impactos do racismo na saúde mental infantojuvenil, pesquisa desenvolvida em escolas públicas e posteriormente desdobrada como projeto de extensão. O trabalho contou com orientação docente e com a coorientação da professora Priscila Detoni, responsável pelo acompanhamento metodológico da pesquisa qualitativa. “Esse projeto foi um divisor de águas na minha formação. Ele me ajudou a entender que fazer Medicina também é olhar para as desigualdades e para o contexto social dos pacientes”, afirma.
A pesquisa resultou em publicações científicas, bolsas de iniciação científica — incluindo FAPERGS e CNPq — e recebeu menção honrosa na XV Jornada de Iniciação Científica da UFFS, em reconhecimento à relevância social e ao rigor metodológico do trabalho.
Na véspera da formatura, em 8 de janeiro, Heloísa viveu um momento simbólico: a visita da família à universidade. Pela primeira vez, pais, irmão e familiares vindos da Bahia conheceram o campus e os espaços onde ela construiu sua trajetória acadêmica, sendo recebidos pelo diretor do campus Passo Fundo, Jaime Giolo, e pela professora Priscila Detoni. “Foi muito emocionante trazer minha família para a universidade. Eles sempre estiveram comigo, mesmo à distância, e poder mostrar onde tudo aconteceu torna essa conquista ainda mais significativa”, relata.