De acordo com o professor, já há confirmação do aquecimento gradual do Pacífico Equatorial e do aumento das probabilidades de formação do El Niño ao longo de 2026.
Instituições internacionais e nacionais de monitoramento climático, como a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), indicam uma transição da neutralidade climática para o El Niño no segundo semestre, com probabilidades superiores a 80% e 90% até o fim do ano.
Apesar disso, Murara pondera que ainda não é possível afirmar a intensidade exata do fenômeno.
“Termos como ‘Super El Niño’ são mais midiáticos do que científicos”, destaca.
Ainda assim, as projeções mais recentes apontam que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Centro-Leste, pode atingir média próxima de +3,2°C até o final de 2026 — valor superior ao registrado em eventos históricos como os de 1997-1998 e 2015-2016. Para o climatologista, embora os eventos extremos não possam ser evitados, os impactos podem ser reduzidos com planejamento antecipado.
“Desastres não são produzidos apenas pela chuva intensa; eles resultam do encontro entre um evento climático extremo e territórios vulneráveis”, afirma.
Entre as medidas apontadas pelo pesquisador estão ações de prevenção, mitigação e preparação, envolvendo tanto soluções estruturais, como obras de engenharia, quanto medidas não estruturais, como planejamento urbano, educação ambiental, monitoramento antecipado e soluções baseadas na natureza.
Murara também destaca a importância de iniciativas governamentais preventivas, como o decreto de alerta climático emitido pelo Governo de Santa Catarina.
“Acredito que essa ação do governo do Estado é um primeiro passo. Um decreto de alerta climático é uma ação preventiva, uma etapa da elaboração técnica para enfrentar os impactos do fenômeno, que pode vir a ocorrer. Mas é preciso estar alerta e preparado”, avalia.