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Projeto de extensão da UFFS Campus Laranjeiras do Sul cria Memorial do Tornado de Rio Bonito do Iguaçu

Memorial reúne objetos, histórias e memórias do tornado ocorrido em novembro de 2025

Assessoria de Comunicação do Campus Laranjeiras do Sul — 20 de Março de 2026 — Atualizado em 20/03/2026

Projeto de extensão da UFFS Campus Laranjeiras do Sul cria Memorial do Tornado de Rio Bonito do Iguaçu

Está em desenvolvimento na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Laranjeiras do Sul um projeto de extensão voltado ao registro e à preservação da memória coletiva do tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, em novembro de 2025.

O Memorial do Tornado de Rio Bonito do Iguaçu tem como objetivo manter e valorizar a história e a vida das pessoas afetadas pelo desastre, preservar as memórias locais, fortalecer o vínculo comunitário e gerar subsídios para pesquisas futuras sobre desastres climáticos, vulnerabilidade e resiliência.

A iniciativa surgiu a partir das ações voluntárias realizadas no município após o tornado. Conforme relata a docente Elisandra Gessi, coordenadora do projeto, diferentes frentes de trabalho foram organizadas para atender a população atingida, incluindo ações de alimentação, doações de roupas, reconstrução e limpeza da cidade. “Durante a limpeza, percebemos que muitos objetos pessoais,  ou o que restou deles, estavam sendo descartados. Embora fosse fundamental liberar os espaços para a reconstrução, também nos demos conta de que muitas lembranças, fotografias e histórias estavam sendo perdidas junto aos escombros. Foi a partir dessa percepção que surgiu a ideia de criar o memorial, para preservar ao menos parte dessas memórias”, explica.

De acordo com a professora, o memorial reúne fotografias, objetos recolhidos nos escombros, trechos de entrevistas, reportagens e desenhos produzidos por crianças do CMEI Dona Laura, entre outros materiais. “O memorial ocupa um espaço pequeno, mas carrega um conteúdo imenso. Ele está localizado no Laboratório de Didática da UFFS e encontra-se aberto para visitação”, destaca.

Para o desenvolvimento do projeto, estudantes da UFFS realizaram atividades de campo, conversaram com as famílias, registraram locais e organizaram o material coletado. A iniciativa contou ainda com o apoio da população de Rio Bonito do Iguaçu, que acolheu a equipe e compartilhou suas histórias com professores e acadêmicos. O acervo também inclui um banco de imagens do setor de Comunicação do MST, responsável por diversos registros realizados durante o período de voluntariado, e permanece aberto à contribuição da comunidade, podendo receber objetos e fotografias.

Na avaliação da coordenadora, o memorial constitui um espaço de preservação da memória e de transmissão das experiências vividas. Durante as entrevistas, uma das questões levantadas buscava compreender o que os participantes gostariam de deixar registrado para as futuras gerações. Segundo Elisandra, “as respostas, em geral, vinham acompanhadas de silêncio, emoção e reflexão, e destacavam o desejo de que, daqui a 5, 10 ou 50 anos, as pessoas possam compreender que, apesar do desespero vivido, também houve fé, solidariedade e apoio mútuo — elementos que deram coragem para que muitas famílias permanecessem no local e reconstruíssem suas vidas”, destaca.

A docente também destaca os impactos do projeto na formação dos estudantes. “O memorial despertou sensibilidade nos acadêmicos. Foi impossível não se emocionar com os relatos ouvidos em cada casa ou comércio visitado. Foram realizadas 35 entrevistas, muitas delas encerradas com lágrimas e abraços. Foram experiências marcantes, que contribuíram para o desenvolvimento da empatia, da análise social e da compreensão dos problemas ambientais”, relata. 

Equipe
O projeto é coordenado pela professora Elisandra Gessi, com coordenação adjunta da professora Ana Hammel. Integram a equipe os estudantes bolsistas Simone Gonçalves Schick, Flavio Santiago, Franciele Luiz, Amanda Rodrigues dos Santos, Isabel Rodrigues e Ruan de Paula.

Os bolsistas atuaram em três frentes principais: buscas ativas nos bairros atingidos para a coleta de objetos, fotografias e materiais simbólicos; realização de entrevistas com moradores, trabalhadores, lideranças e equipes de resposta ao desastre; e curadoria e organização do Memorial Comunitário do Tornado, que poderá ser instalado provisoriamente em espaço público e posteriormente incorporado a um equipamento permanente. 

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