Para dimensionar os efeitos da inundação, os pesquisadores cruzaram mapas das áreas alagadas com diferentes bases de dados geográficos. Os pesquisadores utilizaram dados de uso e cobertura da terra do MapBiomas, que é uma rede colaborativa que reúne universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia para produzir dados e informações sobre as transformações do território brasileiro, incluindo mudanças no uso e na cobertura da terra. A análise também considerou Áreas de Preservação Permanente (APPs), Unidades de Conservação e mapas de distribuição de anfíbios, répteis, aves e mamíferos.
Os resultados mostram que cerca de 4,3 mil km² (430mil hectares) de ecossistemas nativos foram inundados pelos eventos climáticos de 2024 no Rio Grande do Sul, entre eles aproximadamente 1,2 mil km² de florestas e 1,02 mil km² de campos nativos. Também foram atingidos cerca de 825 km² de Unidades de Conservação (cerca de 21% da área total protegida) e mais de 1,4 mil km² de APPs. Um dos dados que chama atenção é a situação dessas áreas de preservação: entre as APPs atingidas, 67% já estavam sem vegetação nativa antes da inundação.
Daniela explica que “compreender esses impactos é fundamental porque os ecossistemas, que são redes de interações entre organismos vivos e o meio ambiente — e a biodiversidade (a variedade de formas de vida que compõem esses ecossistemas) prestam serviços essenciais para a manutenção da vida e a resiliência climática. Quando áreas naturais são severamente afetadas, perde-se o equilíbrio ecológico e a capacidade de amortecer o impacto de desastres climáticos futuros”.