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UFFS entrevista: Universidade e a internacionalização da pós-graduação

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e Diretora de Pós-Graduação detalham participação da UFFS em redes de pesquisa da Capes

Diretoria de Comunicação Social — 06 de Maio de 2026 — Atualizado em 06/05/2026

UFFS entrevista: Universidade e a internacionalização da pós-graduação

É a primeira vez que a UFFS participa do edital de internacionalização da Capes (Capes Global-EDU)

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) dá novos e importantes passos rumo à internacionalização da pós-graduação na Instituição. Com a aprovação de projetos em rede, como instituição associada, pelos próximos anos a UFFS integrará redes nacionais de cooperação acadêmica financiadas pelo Programa CAPES-Global. 

O programa destinará à UFFS um montante de pouco mais de R$ 9,3 milhões, destinados como custeio, que podem ser utilizados para, por exemplo, missões de trabalho internacionais, manutenção de projetos de Pesquisa em Cooperação Internacional, bolsas no exterior e no país e outros. 

Em entrevista, o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFFS, Joviles Trevisol, e a Diretora de Pós-Graduação, Samira Peruchi Moretto detalham como se dá a participação da UFFS nas redes, como essas redes são organizadas e porquê elas projetam de maneira importante a Instituição no cenário científico global. Além disso, eles também comentam sobre o cronograma das ações propostas e ações que a UFFS desenvolverá até 2031 no âmbito das redes.

Quais foram as propostas submetidas e aprovadas?

Joviles Vitório Trevisol e Samira Peruchi Moretto – Foram submetidas 54 propostas ao Edital de Internacionalização da Capes. Desse total, 33 propostas foram aprovadas. Do total de 453 instituições de educação superior (IES) e de instituições de pesquisa (IP) elegíveis para o esse edital, cerca de 324 submeteram propostas. Desse total, apenas 112 instituições foram contempladas, entre as quais a UFFS. A nossa participação no edital foi como IES associada. Não submetemos projetos como IES coordenadora porque a UFFS não atendia, naquele momento, uma das exigências do Edital. Para ser coordenadora de rede a IES precisava ter, ao menos, um Programa de Pós-Graduação (PPG) com nota 5, 6 ou 7. Por essa razão integramos as propostas na condição de IES associada. O nosso ingresso nas propostas foi motivado pelos convites que recebemos. O primeiro convite foi dirigido pela Universidade Federal de Santa Catarina. A UFSC nos convidou para integrar um projeto denominado BRIDGES (Building Research and Innovation towards Development and Global Exchange for Sustainability), formado por seis IES: UFSC, UFFS, UDESC, UENF, UFAM e UNIVASF. O segundo convite foi dirigido pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A UFRRJ nos convidou para integrar a rede UniClima Global – Cooperação Internacional no enfrentamento às Mudanças Climáticas, formada pela UFRRJ, UERR, UFFS, UFG, UFRB e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano.

Todos os programas de pós-graduação da UFFS foram incluídos nos projetos?


Joviles Vitório Trevisol e Samira Peruchi Moretto – Sim. Esse foi um dos compromissos que assumimos desde os primeiros diálogos sobre a construção dos projetos. Apenas 4 PPG da UFFS (de um total de 20) não foram contemplados. Dois deles (PPGDH e PPGPCA) em virtude desses programas terem iniciado as suas atividades letivas após o lançamento do Edital Capes Global. O sistema não abriu para esses dois programas. Os dois PPG ofertados em rede nacional (PROFMAT e PROFIAP) também não foram inseridos, pois a Capes decidiu que a submissão deveria ser feita pela coordenadora da rede nacional. No edital BRIDGES contemplamos os 14 PPG da UFFS: PPGATS, PPGCTA, PPGCTAL, PPGCB, PPGDPP, PPGE, PPGPE, PPGEC, PPGEL, PPGGeo, PPGFil, PPGH, PPGEnf e PPGICH. No edital UniClima Global foram contemplamos dois PPG: PPGADR e PPG-SBPAS.

Qual é, na prática, o papel da UFFS dentro dessas redes?e


JT e SM: A UFFS assinou um termo de anuência que detalha todas as responsabilidades da instituição enquanto membra associada da rede. Assim como as demais instituições brasileiras que integram as redes, teremos que desenvolver todas as ações previstas ao longo dos 05 de vigência do edital. A soma total dos valores das duas redes aprovadas é de R$ 99.742.589,00. Desse total virá para a UFFS cerca de R$ 9.384,141,00, alocados em custeio para missões de trabalho internacionais, recursos para manutenção de projetos de Pesquisa em Cooperação Internacional, Bolsas no Exterior (Doutorado Sanduíche, Professor Visitante Junior, Professor Visitante Sênior e Capacitação) e Bolsas no País (Doutorado Sanduíche para estrangeiros no Brasil; Jovem Talento, Professor Visitante e Pós-Doutorado). O nosso papel é implementar as ações projetadas e realizá-las com sucesso e resultados. 

É a primeira vez que a UFFS participa de uma rede desse porte e com foco em internacionalização?


JT e SM: Sim, é a primeira vez. No edital anterior de internacionalização da Capes (Capes Print), lançado no final de 2017, a UFFS não ingressou, pois o edital exigia, ao menos, dois cursos de doutorado ativos. O nosso primeiro doutorado foi aprovado em 2020, com início de atividades letivas em 2021.

Esses projetos já estavam em andamento ou foram estruturados especificamente para atender ao edital?


JT e SM: Os projetos foram elaborados de acordo com as exigências do Edital Capes Global. Procuramos atender, em detalhes, o que o Edital solicitava. Os projetos são, portanto, novos. O que estava em andamento eram algumas das ações, pois a nossa pesquisa e pós-graduação vêm dando alguns passos importantes no que tange aos vários formatos de internacionalização (internacionalização “em casa”, internacionalização do currículo, aulas espelho, mobilidade acadêmica, o intercâmbio virtual baseado em Collaborative Online International Learning (COIL), a realização em eventos internacionais, a oferta de CCRs em língua estrangeira, produção científica internacionalizada, pesquisa colaborativa e a participação de docentes e discentes em redes de pesquisa).

A UFFS já iniciou alguma atividade dos projetos ou ainda está na fase de planejamento?


JT e SM: A primeira reunião de trabalho para tratar dos assuntos referentes à implementação das ações do Capes Global foi realizada em Brasília, com a presença das 112 instituições contempladas. A Capes orientou como as ações serão implementadas a partir de agora. A primeira etapa é elaborar os planos de trabalho e enviá-los para a Diretoria de Relações Internacionais da Capes. A partir da aprovação dos planos de trabalho, as instituições contempladas começarão a receber os recursos previstos para o ano de 2026. A previsão é receber os primeiros recursos a partir de junho. As bolsas serão implementadas a partir de 2027. Além da agenda da Capes, cada uma das redes tem a sua agenda de trabalho. As reuniões estão ocorrendo regularmente entre as instituições contempladas. A PROPEPG e a AGIITEC também estão se organizando internamente iniciar as atividades planejadas. Os PPG estão sendo informados de todas as etapas. Todos serão envolvidos na fase de elaboração dos planos de trabalho e na execução das ações.

Como se dá a articulação entre as instituições e a divisão de responsabilidades?


JT e SM: O plano de governança de cada rede foi inserido na proposta, pois era uma exigência do próprio edital. O Plano de Governança é composto por vários itens e subitens, no âmbito dos quais encontram-se detalhadas das atribuições e reponsabilidades dos Comitês Gestores, dos Comitês Administrativos e dos Coordenadores de temas. Além disso, o plano detalha as estratégias (i) para a superação das assimetrias regionais e inclusão social; (ii) para o compartilhamento das práticas na gestão da internacionalização com vistas a fortalecer a capacidade institucional dos integrantes da Rede, incluindo a elaboração de Planos Estratégicos de Internacionalização, (iii) para o compartilhamento, nas Instituições participantes e com a sociedade, do conhecimento produzido pela Rede em cooperação internacional; (iv) para a comunicação e divulgação das ações e experiências de internacionalização da Rede nas instituições participantes e na comunidade externa, em diferentes mídias, em português e em língua estrangeira e (v) para o controle, monitoramento e gestão de riscos. O Plano de Governança ajuda muito, mas, como sabemos, a prática vai evidenciando as formas mais adequadas de fazer as coisas funcionarem. Será um grande aprendizado para nós todos, especialmente para a UFFS. Uma das finalidades da rede é justamente transferir culturas e experiências de internacionalização entre as IES. Vamos aprender muito com as IES mais longevas e mais experientes. Além do Plano de Governança, a Diretoria de Relações Internacionais desenvolveu e publicou o “Manual de orientação para o preenchimento do formulário capes-global.edu”. Esse manual oferece orientações claras sobre o Edital e sobre a operacionalização das redes.

Quais são os projetos ou ações que a UFFS vai desenvolver dentro de cada uma das redes?


JT e SM: Como há um volumoso número de projetos, subprojetos e ações em cada uma das redes, o quadro abaixo detalha temas centrais de cada uma delas. Os nossos PPG planejaram ações nesses diferentes temas, de acordo com a área de conhecimento de cada um deles. Em cada um dos temas há um coordenador(a) geral. No âmbito dos temas foram previstos recursos para custeio, manutenção de Projetos de Pesquisa em Cooperação Internacional, bolsas no exterior (doutorado sanduíche, professor visitante junior, professor visitante sênior e capacitações) e bolsas no país, nas modalidades doutorado Sanduíche para estrangeiros no Brasil; Jovem Talento; Professor Visitante e Pós-Doutorado.

Redes
Temas Centrais
Rede UniClima Global – cooperação internacional no enfrentamento às mudanças climáticas
1 - Governança climática, inovação social e desenvolvimento territorial
2- Saúde Única e Resiliência dos Sistemas Biológicos
3 - Sistemas Agrícolas, Recursos Hídricos e Manejo Sustentável do Solo
BRIDGES - Building Research and Innovation towards development and global exchange for Sustainability
1 - Global Inclusion Hub Life on Earth Hub Innovative Processing Hub
2 - Life on Earth Hub
3 - Innovative Processing Hub


De que forma os programas de pós-graduação da UFFS e os estudantes serão envolvidos nas ações?


JT e SM: Os 16 Programas da UFFS que integram as duas redes estão envolvidos desde agosto de 2025, quando iniciamos a fase de elaboração dos projetos. A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação envolveu os PPG em todas as etapas. A propósito, foram os PPG que planejaram as ações em cada um dos temas. A construção coletiva das propostas demandou um volume imenso de trabalho, mas a participação ativa de todos é a garantia do comprometimento que todos nós precisamos ter na fase da execução. Vamos executar o que planejamos de forma conjunta e participativa. Os docentes e os estudantes serão envolvidos diretamente na fase de implementação, pois há muitas ações que serão fomentadas no plano da internacionalização. Na próxima semana iniciaremos a elaboração dos planos de trabalho de cada rede. Os referidos planos serão postados no SIMEC/MEC. De acordo com a previsão da Capes, a primeira descentralização de recursos (via TED) será feita em junho/julho deste ano.

Os recursos envolvidos são para bolsas também ou eles têm uma destinação específica? 


JT e SM: O orçamento de cada instituição que integra a rede foi elaborado a partir dos itens elegíveis. O Edital Capes Global permitiu contemplar orçamento para os seguintes itens: (i) Custeio para Missões de Trabalho Internacionais e Recursos para Manutenção de Projetos de Pesquisa em Cooperação Internacional, (ii) bolsas no exterior (doutorado sanduíche, professor visitante junior, professor visitante sênior e capacitações) e (iii) bolsas no país, nas modalidades doutorado Sanduíche para estrangeiros no Brasil; Jovem Talento; Professor Visitante e Pós-Doutorado.

Existe um cronograma definido para os próximos anos? 


JT e SM: Sim, o Edital prevê atividades a serem desenvolvidas até maio de 2031. 

Quais são os primeiros resultados? Que impactos concretos essa participação pode trazer para a qualidade e a visibilidade da pós-graduação da UFFS?


JT e SM: Como primeiros resultados, podemos afirmar que as ações entre as instituições envolvidas mostraram-se efetivas, resultando na aprovação dos projetos. A colaboração com redes globais traz diversos benefícios, como a facilitação de publicações em periódicos internacionais renomados, o aumento do índice de citações dos pesquisadores da UFFS e a ampliação do acesso aos resultados de nossas pesquisas. Mesmo antes da aprovação, realizamos uma força-tarefa para divulgar nossos cursos de pós-graduação no exterior, o que já atraiu muitos alunos estrangeiros. Com essa maior visibilidade, a UFFS vem se tornando mais atraente para pesquisadores de doutorado e pós-doutorado, inclusive internacionais. A pergunta que precisamos ter sempre claro é: que internacionalização nós queremos promover na UFFS? Esse é ponto central. Os resultados vão decorrer das respostas que vamos dar para isso. Precisamos ter claro que a internacionalização não uma sala ou um conjunto de convênios. A internacionalização é um comportamento; é parte da cultura institucional, que precisa ser fomentada no ensino da graduação e da pós-graduação, na pesquisa e na extensão. 

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