Programação
Apresentação da edição em língua portuguesa do livro Alebrijes Anárquicos: anarquismo, práxis anticolonial e autonomia na América Latina, publicado pela Editora Barricada de Livros (Lisboa) e Ácrata (Rio de Janeiro), 2026.
Resultado do trabalho de investigação de Gaya Makaran (UNAM) e Cassio Brancaleone (UFFS), com co-edição original em língua espanhola pela Bajo Tierra/Eleutério/Editora UFFS (Cidade do México/Santiago do Chile/Chapecó (2024).
*Minibio dos autores:*
Gaya Makaran – docente e investigadora no Centro de Investigações da
América Latina e do Caribe da Universidade Nacional Autónoma do México
(UNAM). Doutora em Humanidades e Estudos Latino-Americanos pela
Universidade de Varsóvia, Polónia. Temas de interesse: Estado
latino-americano, Lutas indígenas
e autonomia social, Feminismos autónomos e anarquismos na América Latina,
casos de Bolívia e Paraguai.
Cassio Brancaleone - docente e investigador na Universidade Federal da
Fronteira Sul (UFFS). Doutor em Sociologia pela Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (UERJ). Coordenador da Comissão Científica de Antropologia
Anarquista e Estudos sobre Autonomia da União Internacional de Ciências
Antropológicas e Etnológicas. Temas de interesse: Movimentos sociais na
América Latina, Fenômenos de auto-organização social no mundo popular,
autonomias, autogoverno, autogestão e anarquismo.
*Resumo do livro:*
Em *Alebrijes Anárquicos*, Gaya Makaran e Cassio Brancaleone recorrem à
figura do *alebrije* — criatura fantástica do imaginário popular mexicano,
composta pela combinação improvável de formas e seres distintos — como
metáfora para pensar encontros, tensões e metamorfoses das lutas por
emancipação na América Latina. Ao longo de cinco capítulos, o livro propõe
deslocar as fronteiras convencionais da história do anarquismo, colocando
em diálogo o movimento anarquista histórico com aquilo que denominam
por anarquias empíricas: formas concretas de auto-organização, apoio mútuo, resistência àdominação, autogestão e autogoverno que emergiram das experiências de
setores populares e subalternos da região. Sem dissolver o anarquismo em
qualquer manifestação de resistência, nem reduzir essas experiências a uma
simples antecipação de suas ideias, *Alebrijes Anárquicos* investiga
justamente os espaços de convergência, fricção e aprendizado recíproco
entre tradições libertárias, lutas anticoloniais e antirracistas,
comunidades indígenas, experiências comunais e autonomistas e lutas de
emancipação das mulheres. O resultado é uma proposta para pensar o
anarquismo latino-americano não como uma perspectiva acabada transplantada
de outros mundos, mas como uma construção global dinâmica e articulada,
a partir da confluência de heterogêneas rebeldias que se colocaram em
relação, recompondo no encontro entre histórias, memórias, saberes e
práticas que compartilham a recusa da dominação, a experimentação de outras
formas de viver em comum.