Oficinas apresentam o “Pensamento Computacional” a professores do Ensino Básico
O termo está na Base Nacional Comum Curricular aprovada no fim de 2018, mas ainda está sendo introduzido no país

Publicado em: 24 de junho de 2019 09h06min / Atualizado em: 24 de junho de 2019 15h06min

Professores de Matemática da Rede Municipal estão aprendendo algo que a partir de 2020 precisarão ensinar aos seus alunos: Pensamento Computacional. A oficina, ligada a um projeto de pesquisa, é oferecida pela UFFS – Campus Chapecó a 30 professores e terá 40 horas de atividades, entre presenciais e a distância. O assunto é tão importante nesse momento porque a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 2018, apresenta o termo “Pensamento Computacional” dez vezes, atrelado à área da Matemática.

Antes do início das atividades, os professores responderam questionários sobre Pensamento Computacional. Conforme a professora que coordena o projeto, Janice Reichert, 100% dos professores se mostraram favoráveis à inclusão do conceito na Educação Básica. Entretanto, quando perguntados se conheciam o termo, o grupo foi unânime em dizer que não tinha conhecimento, não sabia do que se tratava e nem como poderia introduzi-lo na Educação Básica.
Diante disso, a professora Janice reforçou a ideia da pesquisadora Jeannette Wing: “o pensamento computacional é uma habilidade fundamental a todos, não só aos cientistas da computação”, como se poderia supor. Assim, além de introduzir o assunto, os primeiros encontros com os professores foram de atividades ‘desplugadas’, ou seja, sem o uso do computador: algoritmos, conceitos de fluxogramas e lógica. “Os pilares que sustentam o Pensamento Computacional são abstração, decomposição, algoritmos e reconhecimento de padrões, portanto, nem tudo é feito com um computador”, explica Janice.

Como lembra o também professor da UFFS – Campus Chapecó e da oficina Milton Kist, embora o Pensamento Computacional não seja o que “vai salvar o ensino”, ele desenvolve habilidades e é transdisciplinar. “Elas serão as pessoas que no futuro estarão no mercado de trabalho, e o mercado de trabalho espera criatividade das pessoas, espera que elas criem. As máquinas vão ocupar os espaços em que não for preciso pensar”, reflete o professor.

A professora Janice reforça que as crianças que atualmente estão no Ensino Fundamental, quando forem para o mercado de trabalho, precisarão ser agentes pensantes, desenvolvedores de conhecimento. “Precisarão ser mão de obra especializada, que desenvolvem produtos. Precisarão ser autônomos, independentes. Segue a linha do construcionismo do (Seymour) Papert, que fala que o aluno é o autor do conhecimento. Ele não é um ser pacífico; é ativo na sua formação, é o agente construtor do conhecimento. Vai utilizar a criatividade para criar o seu conhecimento. E essa é uma característica buscada não só na Matemática, mas em todas as áreas do conhecimento. Há experiências em artes, geografia, literatura”.

A articuladora de Matemática da Secretaria de Educação de Chapecó, Elizandra De Re, acredita que “incorporar o pensamento computacional à educação básica, nesse caso na Matemática, contribui para o processo formativo dos alunos, pois articula conceitos matemáticos com outras áreas, motivando os alunos a aprender a pensar, desenvolver a habilidade de raciocínio lógico e tomada de decisões para resolver problemas diversos, os quais contribuem para seu crescimento intelectual, crítico, seu desenvolvimento afetivo e atitudes em relação ao outro”. Além disso, segundo ela, as aulas são mais dinâmicas, os alunos se concentram mais, aguça a curiosidade em fazer descobertas e aprender algo novo.

Para ela, a formação tende a ampliar seus conhecimentos, o que, futuramente, poderá diversificar as aulas e aprimorar a aprendizagem dos estudantes. “Os conceitos e aplicações aprendidos na formação, aliados ao planejamento e aos objetivos de aprendizagem do professor, qualificam o processo de ensino aprendizagem”, ressalta.

No decorrer da oficina, além da parte ‘desplugada’, os professores aprenderão a linguagem de programação Scratch, robótica pedagógica utilizando programação em Arduino e como aplicar as dinâmicas com as crianças. Os professores terão o suporte de dois estudantes de Ciência da Computação – participantes de um projeto de Pesquisa e um de Extensão – durante as aulas.

A ideia, conforme Janice, é que as atividades já sejam feitas nas escolas depois das oficinas. Ao final de todos os encontros, haverá um acompanhamento com os professores para avaliar se os professores conseguirão incorporar os conhecimentos em sala de aula.

Embora esteja mais desenvolvido em outros países, como na Espanha, o Pensamento Computacional nas escolas é muito recente no Brasil. Iniciativas em Pernambuco e em São Paulo são as mais relevantes, conforme a professora. Na UFFS – Campus Chapecó, a intenção é fazer uma segunda etapa e, dependendo da aprovação em agências de fomento, produzir um kit de robótica voltado às escolas.


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