Perfil do Curso


Nome
Medicina

Sigla
CCM-PF

Sobre o Curso
 
A proposta pedagógica do curso de Medicina está em consonância com os pressupostos do SUS, quais sejam: acesso universal, equidade, atenção integral, gestão, educação em saúde e educação continuada, de forma a atender as necessidades de saúde da população e contribuir no fortalecimento da participação e autonomia dos sujeitos individuais e coletivos na produção de sua saúde. Partindo desses pressupostos, abaixo estão listados os princípios gerais e conteúdos fundamentais que sustentam a formação do profissional médico na UFFS.

Princípios Gerais

Os princípios gerais compreendem:

a) Atenção Integral à Saúde
 
O graduando será formado para estar apto a: desenvolver ações de promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo; assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada, multiprofissional e contínua com as demais instâncias do sistema de saúde; atuar dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios éticos e científicos; considerar a dimensão da diversidade biológica, subjetiva, étnico-racial, identidade de gênero, orientação sexual, socioeconômica, política, ambiental, cultural e demais aspectos que compõem o espectro da diversidade humana e que singularizam cada pessoa ou cada grupo social. Para tanto, considera-se:
I – O acesso universal e equitativo à saúde como um direito igualitário de cidadania, sem privilégios ou preconceitos de qualquer espécie. A atenção à saúde deve ser produzida de forma justa pelo SUS, segundo prioridades definidas pela vulnerabilidade e pelo risco à saúde e à vida, de acordo com as necessidades de cada pessoa. Implica considerar as desigualdades para tratálas com equidade;
II – A integralidade e humanização do cuidado, por meio de prática médica contínua e integrada com as demais ações e instâncias de saúde, de modo a construir projetos terapêuticos compartilhados, estimulando o autocuidado e a autonomia das pessoas, famílias, grupos e comunidades e reconhecendo os usuários como protagonistas ativos de sua própria saúde. É importante que os médicos inseridos em serviços de diferentes níveis de atenção, possam compreender o sistema de saúde como um todo e intervir de tal forma que exista uma participação ativa na construção de uma rede de serviços que contemple a diversidade de práticas e o maior número possível de necessidades;
III – A qualidade na atenção à saúde, pautando seu pensamento crítico, que conduz o seu fazer, fundamentada na Medicina baseada em evidências, na escuta ativa e singular de cada pessoa, família, grupos e comunidades e nas políticas públicas, programas, ações estratégicas e diretrizes vigentes;
IV – A realização de ações, dentro dos mais altos padrões de qualidade, visa o alcance dos propósitos dessas ações, de modo focado na melhoria da saúde das pessoas. A qualidade e a segurança da atenção à saúde devem ser promovidas pela utilização de diretrizes e protocolos clínicos e de normas técnicas para a realização de processos e procedimentos, como um esforço coletivo e permanente para a redução de riscos e danos às pessoas e aos profissionais;
V – A preservação da biodiversidade com sustentabilidade, de modo que, no desenvolvimento da prática médica, sejam respeitadas as relações entre ser humano, ambiente, sociedade e tecnologias, e contribua para a incorporação de novos cuidados, hábitos e práticas de saúde, gerando conscientização e responsabilidade de cada um na preservação da biodiversidade e da qualidade de vida das pessoas;
VI – Os princípios da ética/bioética que devem fundamentar a prática médica, tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico. O médico deve respeitar a diversidade de perspectivas e valores, promover a construção de relações profissionais pautadas pela visão de que as necessidades de saúde individuais e coletivas representam o centro do processo de cuidado;
VII – Que os médicos devem ser acessíveis e manter a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros profissionais de saúde e o público em geral, com empatia, sensibilidade e interesse. A comunicação envolve comunicação verbal, não verbal e habilidades de escrita e leitura, o domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira e de tecnologias de comunicação e informação;
VIII – A promoção da saúde, como estratégia de produção de saúde, articulada às demais políticas e tecnologias desenvolvidas no sistema de saúde brasileiro, contribuindo para construção de ações que possibilitem responder às necessidades sociais em saúde;
IX – O cuidado centrado na pessoa sob cuidado, na família e na comunidade, no qual prevaleça o trabalho interprofissional, em equipe, com o desenvolvimento de relação horizontal, compartilhada, respeitando-se as necessidades e desejos da pessoa sob cuidado, família e comunidade, a compreensão destes sobre o adoecer, a identificação de objetivos e responsabilidades comuns entre profissionais de saúde e usuários no cuidado.
 
b) Gestão em Saúde
 
O graduando será formado para ser capaz de: compreender os princípios, diretrizes e políticas do sistema de saúde; participar de ações de gestão e gerenciamento para promover o bem estar da comunidade; exercer a liderança democrática e o trabalho em equipe, a serviço do compromisso social e da defesa do direito à saúde. Neste sentido, compreende-se:
I – A gestão do cuidado, com o uso de saberes e dispositivos de todas as densidades tecnológicas, de modo a promover a organização dos sistemas integrados de saúde para a formulação e desenvolvimento de planos terapêuticos individuais e coletivos, com uma visão ampliada da clínica, para articular ações, profissionais e serviços, visando o máximo benefício à saúde das pessoas, dentro dos recursos disponíveis, segundo os melhores padrões de qualidade e segurança;
II – A valorização da vida, por um profissional médico generalista, propositivo e resolutivo, com a abordagem dos problemas de saúde, independentemente do nível de atenção, visando à melhoria dos indicadores de qualidade de vida, de morbidade e de mortalidade;
III – A tomada de decisões de modo a racionalizar e otimizar a aplicação de conhecimentos, metodologias, procedimentos, instalações, equipamentos, insumos e medicamentos, de modo a melhorar os indicadores de saúde da população. A sistematização e a avaliação das condutas mais adequadas devem produzir protocolos e diretrizes que retroalimentam a tomada de decisões;
IV – A comunicação, incorporando, sempre que possível, as novas TICs, para interação à distância e acesso a bases remotas de dados;
V – A liderança e trabalho em equipe, exercido por meio da construção de parcerias e redes, na perspectiva de ampliar e aproximar os serviços, universidades e outros setores envolvidos na promoção da saúde, pensando globalmente e agindo localmente, visando o bem-estar da comunidade, com compromisso e responsabilidade;
VI – A construção participativa do sistema de saúde, de modo a compreender o papel dos cidadãos, gestores, trabalhadores, prestadores de serviço e instâncias do controle social na elaboração da política de saúde brasileira.

c) Educação em Saúde
 
O graduando deve ser capaz de aprender continuamente, tanto na sua formação, quanto na sua prática, desenvolvendo a independência e a autonomia intelectual, com responsabilidade e compromisso na formação de futuras gerações de profissionais de saúde. Para isso, destacam-se:
I – O aprender a aprender e o aprender com o erro, como parte do processo de ensino e aprendizagem, identificando conhecimentos prévios, desenvolvendo a curiosidade e formulando questões para a busca de respostas cientificamente consolidadas, com o desejo de conhecer melhor os problemas de saúde e os fenômenos neles envolvidos, construindo sentidos para a identidade profissional e avaliando, criticamente, as informações obtidas, preservando a privacidade das fontes;
II – O aprender interprofissionalmente, com base na reflexão sobre a própria prática e pela troca de saberes com profissionais da área da saúde e outras áreas do conhecimento, para a orientação da identificação e discussão dos problemas, estimulando o aprimoramento da colaboração e da qualidade da atenção à saúde;
III – O comprometimento com seu processo de formação, envolvendo-se em ensino, pesquisa e extensão e observando o dinamismo das mudanças sociais e científicas que afetam o cuidado e a formação dos profissionais de saúde, a partir dos processos de autoavaliação e de avaliação externa dos agentes e da instituição, promovendo o conhecimento sobre as escolas médicas e sobre seus egressos;
IV – A educação popular em saúde por meio de ações voltadas para integralidade da atenção à saúde, a partir do diálogo entre a diversidade de saberes valorizando os saberes populares, a ancestralidade, o incentivo à produção individual e coletiva de conhecimentos e a inserção destes no SUS;
V – A formação do médico pautada na capacidade de articular conhecimentos científicos de diversos campos de saber, tanto das ciências biológicas, quanto das ciências sociais e humanas, em uma abordagem de integração interdisciplinar e desfragmentação dos conhecimentos.

Conteúdos Fundamentais

Os conteúdos fundamentais contemplam:

a) Conhecimento das bases moleculares e celulares dos processos normais e alterados, da estrutura e função dos tecidos, órgãos, sistemas e aparelhos, aplicados aos problemas de sua prática e na forma como o médico o utiliza;
b) Compreensão dos determinantes sociais, culturais, comportamentais, psicológicos, ecológicos, éticos e legais, no nível individual e coletivo do processo saúde-doença;
c) Abordagem do processo saúde-doença do indivíduo e da população, em seus múltiplos aspectos de determinação, ocorrência e intervenção;
d) Compreensão e domínio da propedêutica médica – capacidade de realizar história clínica, exame físico, conhecimento fisiopatológico dos sinais e sintomas; capacidade reflexiva e compreensão ética, psicológica e humanística da relação médico-paciente;
e) Diagnóstico, prognóstico e plano terapêutico nas doenças que acometem o ser humano em todas as fases do ciclo biológico, considerando-se os critérios da prevalência, letalidade, potencial de prevenção;
f) Compreensão dos processos fisiológicos dos seres humanos ao longo do ciclo da vida;
g) Compreensão e domínio das novas tecnologias da comunicação para acesso a base remota de dados e domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira, que seja, preferencialmente, uma língua franca;
h) Abordagem de temas transversais no currículo que envolvam conhecimentos, vivências e reflexões sistematizadas acerca dos direitos humanos e de pessoas com deficiência, educação ambiental, ensino de Libras (Língua Brasileira de Sinais), educação das relações étnico- raciais e história da cultura afro-brasileira e indígena.
 
Sob essa perspectiva, ressalta-se que o curso busca estar em sintonia com as demandas atuais da sociedade, trabalhando com questões que interferem na vida dos acadêmicos, combinando transversalidade e disciplinaridade. Os principais componentes curriculares que se dedicam às discussões sobre os temas transversais expostos são: Diagnóstico e Terapêutica I e II; Clínica: atenção integral à saúde do adulto e do idoso I e II; Atenção integral à saúde mental e psiquiatria I e II; Saúde Coletiva; LIBRAS; História da Fronteira Sul; Meio Ambiente, Economia e Sociedade; Direitos e Cidadania; Bioética e Ética Médica; Introdução a Filosofia; Ciência, Espiritualidade e Saúde e Educação para as Relações Étnico-Raciais, Gênero e Direitos Humanos.

Turno
Integral

Duração Mínima
12 semestres

Modalidade
Presencial

Número de vagas anuais
62

Nível
Graduação - Bacharelado