Pesquisas no Campus Erechim estudam o controle de plantas daninhas na canola

Estudos buscam identificar o período exato para a limpeza das plantas infestantes sem reduzir a lucratividade do produtor
Assessoria de Comunicação do Campus Erechim
Publicado em: 11 de setembro de 2017 13h09min / Atualizado em: 11 de setembro de 2017 13h09min

Responsável pelos maiores índices de produção de canola no Brasil, o Rio Grande do Sul tem agora se dedicado a pesquisas que auxiliem os produtores a trabalhar com essa cultura, que ainda pode ser considerada nova em comparação com outras mais tradicionais. Experimentos realizados na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim têm focado esforços em, pelo menos, dois objetivos: primeiro, avaliar e identificar qual a melhor época, após a emergência da cultura, para se fazer o controle de plantas daninhas, e, segundo, qual o nível de dano econômico causado por essas espécies sobre a canola, ou seja, até quantas plantas infestantes pode-se deixar por área sem reduzir a lucratividade do produtor.

Os professores Leandro Galon e Altemir José Mossi pesquisam a canola há 2 anos. Juntos, buscam formas mais sustentáveis de se controlar o nabo silvestre, azevém e aveia – plantas que emergem junto com a espécie. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental, Daiane Brandler completa o trio de pesquisadores.

Segundo Galon, o andamento dos experimentos mostram que o período ideal para o controle das plantas daninhas vai ficar próximo dos 16 até 35 dias após a emergência da canola – ou seja, o produtor terá 19 dias para efetuar a limpeza das plantas daninhas da lavoura. Trata-se de um período similar a outras culturas com ciclos semelhantes, como trigo, cevada e soja, e maior que culturas com ciclo menor, como o feijão. “O período da canola é maior porque ela tem um ciclo mais extenso que o do feijão. Para o milho esse período é ainda maior. Quanto maior o ciclo da cultura, mais longo é o período para se fazer o controle da planta daninha”, afirma o docente.

A mestranda Daiane Brandler destaca que não existe ainda nenhum estudo semelhante sobre o tema. Ela afirma que os produtores precisam estar atentos aos dados para evitar a perda na produção. “Às vezes o agricultor vê determinada planta daninha e já pensa em uma maneira de retirá-la. É importante ter conhecimento dos períodos para saber o momento exato de fazer isso, uma vez que a redução dos custos de herbicidas precisa ser levada em consideração por quem produz a canola”, lembra Daiane.

O farelo de canola possui de 34 a 38% de proteínas, sendo um excelente suplemento proteico na formulação de rações para bovinos, suínos, ovinos e aves. Ainda de acordo com o professor Galon, a canola é propícia para diferentes utilidades, seja na rotação de culturas – com trigo e cevada, por exemplo –, na produção de óleo e, ainda, para biodiesel.

Para o experimento que objetiva caracterizar os danos econômicos causados pelas plantas daninhas infestantes da canola, a equipe da UFFS ainda aguarda o momento propício para a colheita – o que deve ocorrer em meados do mês de outubro. O cálculo do nível é efetuado levando-se em consideração a população por área das plantas daninhas infestantes da canola, o preço pago por saca ao produtor nos últimos 10 anos, o custo de controle da planta daninha, a produtividade de grãos por área da canola e a eficiência do controle, seja ele químico ou mecânico.

“Todos esses dados são calculados usando-se equações matemáticas e o software SAS. Porém para que seja possível se efetuar os cálculos tem-se a necessidade de quantificar a população, a porcentagem de cobertura do solo, a área foliar e a massa seca das plantas daninhas infestante da canola. Tudo isso por metro quadrado, preço do produto, produtividade de grãos e custo de limpeza da área”, fala o professor Galon. “Podemos adiantar que o atraso no controle das plantas daninhas e altas populações têm prejudicado o crescimento e o desenvolvimento da canola. Isso vai afetar drasticamente a quantidade e a qualidade dos grãos produzidos”, finaliza o docente da UFFS.