Seminário avalia experiência inovadora na UFFS: a “Residência Pedagógica”

Modelo de estágio foi implantado pela primeira vez no curso de Geografia, com três graduandos, e está agradando escola, universidade e estudantes
Assessoria de Comunicação do Campus Chapecó
Publicado em: 11 de julho de 2017 17h07min / Atualizado em: 12 de julho de 2017 08h07min

Futuros professores imersos no contexto da escola. Professores trocando informações com os estagiários e com mais ânimo para as atividades. Estudantes empolgados e pedindo a sequência do trabalho. É nesse contexto que três estudantes de Geografia da UFFS – Campus Chapecó realizam o Estágio Curricular Supervisionado II de uma maneira diferente: a “Residência Pedagógica”. As experiências desse conceito novo na UFFS foram apresentadas na noite de segunda-feira (10), durante o Seminário de Estágios do curso, pelos próprios estagiários e por duas professoras da Escola Lara Ribas, local onde os estudantes estão atuando.

Auditório com pessoas olhando para a frente, onde mesa está composta por quatro pessoas, uma delas falando ao microfone

A proposição da Residência Pedagógica foi da professora Adriana Maria Andreis, que contou com o apoio e a atuação do professor Willian Simões. “A residência compreende esse processo de ‘morar’, de ‘habitar’ na escola. Então ele habita para aprender a ser professor. Ele não está na escola apenas no momento em que estaria em aula”, ressalta a professora.

Conforme o professor Willian, a relação da universidade com as várias escolas onde os estudantes estagiavam não tinha problemas, mas havia uma lacuna. “Percebemos uma relação boa, mas faltava profundidade. Éramos bem recebidos, eles percebiam que a universidade estava presente, mas não tinha uma contrapartida: uma relação mais intensa. Acho que uma das coisas que ganhamos muito com a ideia de residência é justamente a construção de um laço, uma identidade com essas escolas acolhedoras dos nossos estagiários. E passamos a ter a oportunidade de trazer esses professores para uma formação continuada, uma leitura, enfim, reflexões sobre o mundo da docência aqui na Universidade”, reforça ele.

Segundo a professora Adriana, a aproximação com a escola foi um dos aspectos mais positivos percebidos com a Residência Pedagógica. “Alguns estagiários conseguiram participar de projetos, orientar trabalhos, por exemplo. A escola se sente dentro da universidade”.

Uma das professoras que contribuiu com o debate, Anelise Schmidt, frisa a importância da aproximação entre universidade e Educação Básica: deixamos de ter “uma universidade que pensa e uma escola que faz. Essa aproximação nos tira do isolamento pedagógico, nos aproxima, nos dá um alento para voltarmos a ser professores pensantes, que não se restringem à sala de aula”.

É o mesmo pensamento de Adriana e Willian. “Não se aprende a ser professor da Educação Básica fechado numa universidade, com a gente planejando aqui e eles aplicando lá. O aprendizado da docência se dá na relação com a escola e não para a escola ou sobre a escola”, pontua ela. É necessário, conforme o professor, que haja um afastamento, em algum momento, para a análise, “mas ele (o estagiário) consegue construir uma visão mais crítica a partir do conhecer de perto a escola”.

Embora ainda careça de soluções para ser implantada com mais estudantes ou mesmo por mais licenciaturas – com alunos que trabalham ou os que vêm de outras cidades, por exemplo – , a Residência Pedagógica está sendo unanimidade para as professoras da escola, para os professores da UFFS e para os estudantes que a vivenciam.

A professora Adriana comenta que a motivação dos estudantes é outra. “O olhar deles com relação à escola, à docência muda completamente. No primeiro dia! Eles começam a sentir mais valorizados”. O estagiário e estudante da sétima fase do curso, Lucas Azeredo, considera a residência um divisor de águas. “É quando temos a vivência de um professor na escola, o momento em que a gente tem certeza de que vai ser professor ou não”. Ele parece não ter dúvidas: criei identidade com a escola, com professores e alunos. Me senti parte, me senti vivo na escola. Me senti contribuindo para a formação de pessoas que, amanhã, poderão viver nesse contexto que estou hoje: o Ensino Superior. Meu sentimento, resumo em gratidão: por ser professor e poder fazer a diferença na vida de algumas pessoas”.

Para as professoras, a Residência Pedagógica é surpreendente. “Eu saí da minha solidão pedagógica. Essa aproximação com a universidade, que para mim começou com o PIBID, me balançou muito e me fez querer ser melhor de novo. Não deixou eu me acomodar”, revela a professora Anelise. E a professora Luzia Zuanazzi completa: “faço minhas as palavras da Anelise. Às vezes você cai na rotina, e os estagiários nos fazem buscar mais”.

Com 17 anos atuando como professora, Luzia relembra seu início de carreira. “Fui aprender (a ser professora) depois, na prática, formada. Esses acadêmicos, com a formação muito boa que têm na parte teórica, e ainda com essa oportunidade, essa intensidade no estágio, têm uma vivência muito rica”. E Anelise finaliza: “sempre conversávamos que o tempo de estágio era muito pouco. O estudante não conseguia compreender o que é uma escola, os desafios no dia a dia. Essa ideia da Residência Pedagógica revoluciona. É altamente inovadora e torcemos para que dê certo”.

A ideia, de fato, é seguir com o projeto. Conforme Willian, o momento é de avaliar para tentar ampliar a Residência no próximo ano. Segundo o pró-reitor de Graduação, João Alfredo Braida, a Residência Pedagógica tem muito a ver com o processo que a UFFS vive, de revisão dos Projetos Pedagógicos dos Cursos de licenciatura, que seguirão as Diretrizes Curriculares Nacionais e a Política Institucional de Formação de Professores da UFFS. “As duas apontam para a necessidade de que a formação de professores – não na totalidade, é claro, mas parte significativa – se dê no espaço da escola. Parabenizo a iniciativa dos professores e agradecemos à escola por se disponibilizar a trabalhar conosco”, explica o professor Braida.