Curso de Medicina emite Nota Técnica sobre local onde se encontram cães acolhidos
Depois de despacho do Ministério Público que sugere, inclusive, uma possível apreensão e "sacrifício sanitário" de cães retirados da rua e mantidos em residência, em Chapecó, professores pesquisadores da UFFS – Campus Chapecó estiveram no local para constatar situação

Publicado em: 06 de setembro de 2018 09h09min / Atualizado em: 06 de setembro de 2018 16h09min

“Não há riscos de transmissão de doenças infectocontagiosas em que o cão seria o vetor, considerando as doenças que seriam prevalentes na região Sul do Brasil”. Essa é uma das informações constantes na Nota Técnica emitida pelo curso de Medicina da UFFS – Campus Chapecó sobre o local onde uma cuidadora mantém cães retirados da rua. Ela recebeu, em 16 de agosto, uma notificação do Ministério Público sobre medidas que devem ser tomadas, sob pena de ser multada, ter o local interditado e, até mesmo, do “sacrifício sanitário” dos animais.

A nota, assinada pelos professores Marcelo Moreno (coordenador do curso) e Gabriela Gonçalves de Oliveira (coordenadora adjunta do curso), informa que professores pesquisadores e com pós-doutorado em área de parasitologia e em doenças transmissíveis ao ser humano visitaram o local. Eles verificaram que os animais são vacinados contra todas as doenças contagiosas, que os cães não possuem lesões macroscópicas e que o local não se mostrou insalubre.

Depois de visitarem a Unidade de Estratégia da Saúde da Família, considerar os dados de Chapecó constantes no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e relacionar as variáveis com informações de artigos científicos, a conclusão é que “não se justifica a medida impositiva em relação à eutanásia dos animais em questão”.

Leia o conteúdo da nota:

O Curso de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Chapecó, vem por meio dessa nota técnica esclarecer a população da Cidade de Chapecó sobre os riscos sanitários, ou riscos para a saúde humana em relação ao local onde se encontra o canil da cuidadora Sra. Poliana Graciela Sommer que foi notificada por um despacho do Ministério Público no dia 16 de agosto de 2018.

Em visita técnica realizada no local por professores pesquisadores e com pós-doutorado em área de parasitologia e em doenças transmissíveis ao ser humano foi possível verificar que não há riscos para transmissão de doenças infectocontagiosas em que o cão seria o vetor, considerando as doenças que seriam prevalentes na região Sul do Brasil. Além disso, foi verificado que os animais presentes no local foram vacinados contra todas as doenças contagiosas, sejam elas virais ou parasitárias, de acordo com orientação veterinária. Ainda, não se observou lesões macroscópicas nos cães sugestivas de micoses, leishmaniose ou quaisquer outras características importantes que implicassem em transmissibilidade. O local onde os cães habitam não se mostrou insalubre. No mesmo dia, foi realizada uma visita técnica à Unidade de Estratégia da Saúde da Família responsável pela territorialização da área de abrangência onde se encontra a residência da Sra Poliana (Unidade Oeste). Nessa visita, foi possível conversar com a coordenadora enfermeira Michela Pertile, que nos informou que não há notificação de qualquer doença infectocontagiosa em que o cão é vetor, desde que o sistema de notificação foi implantado. Além disso, considerando os dados do SINAN da cidade de Chapecó e relacionando essas variáveis com informações de artigos científicos (ex. Jacob & Lorber - Microbiology Spectrum, 2015), foi possível concluir que, nas condições acima descritas, seria uma ocorrência rara a transmissão de uma doença canina para o homem, levando-se em conta que, para a transmissão de doença em que o cão é vetor, os animais devem estar efetivamente doentes e em contato com seres humanos também em risco (pacientes esplenectomizados, que convivem com o virus do HIV, entre outros) ainda assim, não se justifica a medida impositiva em relação à eutanásia dos animais em questão. Conforme acima, essa nota técnica foi escrita baseada em visita presencial e não em documentação fotográfica.



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