Curso contribui para que mulheres imigrantes tenham seus negócios
Força-tarefa na UFFS - Campus Chapecó proporcionou conhecimentos, cuidados com os filhos, aulas de português, informações sobre saúde feminina e proporcionou uma feira com os produtos e serviços das imigrantes.

Publicado em: 18 de novembro de 2022 13h11min / Atualizado em: 21 de novembro de 2022 14h11min

Como uma universidade pode auxiliar a sociedade? A resposta é longa e envolve muitas possibilidades, como pesquisa, formação de profissionais, melhorias na educação, na saúde etc. Mas algumas ações realizadas nas universidades são bastante práticas. Uma delas é o curso “Empreendedorismo e Inserção no Mercado de Trabalho para Mulheres Imigrantes”, oferecido na UFFS – Campus Chapecó a partir de uma demanda e parceria com a Associação Voluntários para o Serviço Internacional Brasil (AVSI).

O curso não é apenas um curso. É praticamente uma força-tarefa de vários cursos e iniciativas: o Movimento Empreende UFFS e o curso de Administração, o curso de Pedagogia, a Liga Acadêmica de Saúde da Mulher (ligada ao curso de Medicina) e o Centro de Línguas da UFFS (Celuffs) do Campus Chapecó, ligado ao curso de Letras – Português e Espanhol.

Para que as mulheres aprendam mais sobre como ter seu negócio, sobre finanças, formalização de uma empresa e tudo o que envolve esse universo, o Movimento Empreende UFFS entrou em jogo. Chamou vários professores, estudantes, egressos participantes e levou informações preciosas a quem deseja fazer seu negócio acontecer. Além disso, pela parceria do Empreende UFFS, o Sebrae também apoiou as mulheres.

Voltando um capítulo para explicar a presença do curso de Pedagogia: quando a AVSI entrevistou famílias venezuelanas, o articulador local da AVSI, João Barbosa Pina Pereira, conta que percebeu que sempre era recebido por mulheres. Segundo ele, nas conversas, entendeu que elas tomam conta das crianças enquanto os maridos, que já haviam conseguido emprego, estavam no trabalho.

Por isso, quando buscou a parceria com o Empreende UFFS, já repassou essa informação. Por sua vez, a professor Kelly Tosta, coordenadora do curso, entrou em contato com a professora Katia Segranfedo, coordenadora do curso de Pedagogia. Assim nasceu mais uma parceria: dessa vez, para o atendimento aos pequenos, com cuidado, atividades lúdicas e, claro, muita alegria.

A língua é uma das barreiras mais citadas quando o assunto é a inserção dos imigrantes na sociedade. Então, buscou-se mais uma parceria: com o Centro de Línguas da UFFS (Celuffs) do Campus Chapecó. Por fim, para que as mulheres tenham mais conhecimento sobre a própria saúde e sobre o funcionamento do SUS, coube à Liga Acadêmica de Saúde da Mulher (Lasam) trazer as informações.

O conhecimento já vem sendo aplicado. Na quinta-feira (10), o grupo expôs seus trabalhos em uma feira realizada na UFFS – Campus Chapecó. Tranças, culinária e artesanatos fizeram parte da feira.

Arelis Garcia Villareal está há nove meses em Chapecó. Ela fez um curso de costura no Brasil e sentia que precisava mais conhecimento para ter seu negócio. “Não basta empreender, é preciso ter ferramentas para fazer isso com propriedade. O curso foi muito bom. Aprendi mais de português, como utilizar redes sociais, finanças, saúde feminina. Sempre vale a pena ter mais conhecimentos”.

Arelis tem duas filhas. A menor, de 11 anos, esteve com a mãe na UFFS durante os dias do curso, em atividades propostas pelo grupo da Pedagogia.
A vereadora de Chapecó Marcilei Vignatti veio ao Campus e conheceu o trabalho das imigrantes. “As mulheres imigrantes são mulheres brasileiras agora. E a gente precisa acolher na diversidade que elas trazem para compartilhar conosco. Tem muita cultura, trabalho, informação que cabe ao povo brasileiro acompanhar, acolher, participar, contribuir e fortalecer isso tudo que as mulheres que vêm de outros países trazem para nossa cidade. Enquanto vereadora, venho para apoiar e levar para fora da universidade esses eventos que acontecem aqui”, comenta ela.

Conforme a professora Kelly, a ideia da feira surgiu logo após o primeiro encontro, quando um diagnóstico feito com as mulheres mostrou que a maioria quer empreender. “A feira veio como um ‘protótipo’ para vermos como elas se saem e como é para elas a experiência de lidar com o público, o que vende e o que não vende, e o primeiro passo foi proporcionar isso internamente”.

O encerramento do curso aconteceu na quarta-feira (16) em uma aula sobre a formalização de um negócio, com o Sebrae-SC, parceiro do Empreende UFFS. Entretanto, de acordo com a professora, a intenção é seguir acompanhando as mulheres após o fim do curso com mentorias e suporte. “O curso acaba enquanto formação, mas continua com o acompanhamento. Vamos pensar no melhor formato, em função do deslocamento, porém, seguiremos com esse apoio. Queremos focar bastante nisso, para que não seja uma ajuda superficial; para que contribua para uma mudança de vida dessas mulheres”.

A professora ressalta que a iniciativa demonstra que as ações da universidade podem ser transformadoras. “O principal é entender que quando a universidade tem um propósito ela consegue se juntar em prol de ajudar a comunidade. Não recebemos nenhum não, nenhum colega se omitiu da possibilidade de contribuir, e acho que esse é o maior ganho: a gente conseguir se ver enquanto universidade, enquanto ente interdisciplinar capaz de transformar vidas ao nosso entorno”, finaliza a professora.

 


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